
O colóquio semanal teve lugar. No meio de tanta gente ausente filtrou-se o momento. As mãos deslizaram nesses papéis que tanto dizem e, em breves horas, deslindamos os mistérios comuns... surgem olhares a conta gotas, desmentindo um afastamento requerido e certificado, e no embrulho sentimental, as mãos aproximam-se inocentemente, despidas de intenção... um pequeno gesto debota qualquer promessa, um gesto tão simples aquece de novo a alma nesse rasto de chama que incendeia o realce de sombras que não se tornam corpos e se eternizam sem pedir... porque não dá para parar naquela hora uma respiração que nasce apenas em duas palmas que se tocam levemente... porque atrás desses dedos escorregadios surgem imaginações dessa fogueira que estamos a lutar para não reacender, porque atrás desse mesmo dedilhar trocam-se ósculos impossíveis de parar... e, depois das tuas palavras, a sede só cresce mais ainda... redescobrir, sentir, percorrer... cansar-me nesse beduim de corpo e alma que és tu... uma negação incontrolável, que quanto mais nãos preenche nos espaços em branco, mais transparente se torna a vontade de perfídia desmedida... interpõe-te nessa vontade, nega de novo e de novo, porque respeito esse temor sem prescindir desta amizade porque me conforta nesse recanto de paz que somos tu e eu...
1 comentários:
O toque que incendeia, muitas vezes nem chegar a existir, mas a proximidade, o ambiente cúmplice, um mero olhar pode sempre despertar algo que nunca terminou na realidade... como nos pequenos gestos como o toque se transporta tanto sentimento, desejo ou emoção é que é algo que me atormenta e amedronta pois sei que nunca vou estar seguro de duvidas dos meus futuros sentimentos a não ser que sinta algo minimamente parecido... que duvido sinceramente que seja fácil...
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