
Fulminam secretos sorrisos
Num flutuar de passos
Que encantam só de existir...
Quero perder o silêncio,
Falar de mim sem temor,
Dar lugar a promessas
Que, quem, sabe podem sobreviver...?
O momento precipita-se em mim
Não vejo memória de outro lugar
Senão aquele por que lutei.
E, no derrame dum esconderijo,
Permaneço no segredo mal guardado
Que a melodia me cansa de lembrar
E engano a solidão que passa...
Não consigo fingir nesse olhar,
Não sei como deixar a água correr,
Não sei crescer sem risco...
E toda a novela que me enlace,
É um pormenor de história
No selar desse beijo acaba
Nesse toque perde-se o sentido de ser...
Talvez a lua tenha descido hoje
Ilumina uma sensação oca
Para as letras voarem em rodopio...
Não me canso de ouvir o timbre
Que me leva de novo a esse cheiro,
Que me confunde mas não prende
Que num risco não se desata...!
Revoltam-se sentidos confusos
Para revelar o que insisto negar
Num turbilhão que deixas por elucidar...
Arrisco a entregar a minh' alma?
Merecemos esse risco ténue,
Que de tão errado me move,
Que de tão certo me pára...?
Fundo o corpo sem perceber?
Nego um sentido simples de ser?
Digo que nada mais me afecta?
Não acredito naquela expressão
Mas iludo e continuo...
Porque surgiu sem pedir?
Porque deixo entrar sem pedir?
Levo a folha ao sentido certo
Perco-me lá e cerro os olhos
Estar lá nesse beijo cúmplice
Nesse gesto de hora certa...
E quando prendo esse movimento
A vontade dispersa-se e corre
Encontra um olhar que mexe
Que me leva onde eu desejo...
Só podia ser como si mesmo...
E na incógnita me envolvo
"Salgadas" de noção plausível...
Nesse sítio meu e teu
Que torna impossível negar
Não me move a arriscar
Não me segura e é perfeito...
A frieza toma conta de mim
Deixar de ser eu até esse abraço
Disfarço sentidos mais puros...
Onde acaba o que não existe?
Onde se sente o que não se mostra?
Onde se funde a entrega que não surge?
Onde chega o erro que me acerta?
Nesse toque que me arrepia
Nesse beijo que me olvida
Nessa respiração que me culmina...
Mascaro-me de alguém
E vou encontrar-te num desejo
Numa sede que não se aguenta
E deixo que caia em cena...
Porque esse olhar não pode
Porque esse olhar não mostra
Senão outro tempo que passa...
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