
Apenas o dia que corre depressa me leva ao refúgio que é meu, ocupo um espaço, torno-me matéria, faço sentir a minha presença... para onde vou depois?? Estou perdida, falta-me a memória, não conheço ninguém... perdi a noção de quem sou, de quem me acompanha... aquele acidente não me deixa recordar, apenas me lembro do meu nome... naquelas paredes que me parecem imensas, desnuadas, onde a mobília é invisível, pergunto onde estou, quem sou eu? Onde é a minha casa? De onde vim? O corpo afasta-se da alma, por entre o vazio das escolhas crio limites no destino, vou subindo, escalando sem saber por quê... a montanha ganha superior tamanho, nao alcanço o topo, vai crescendo abruptamente, violentamente põe em causa a minha resistência em atingir o cume... pequenas saliências desenhando mãos declinam em meu auxílio, agarro-as, firmo-as de encontro ao meu corpo, mas orgulhosamente firo as mãos nas rochas, porque o objectivo é apenas meu... já não vejo horizonte, de tão empenhada que estou, vou subindo bem alto e apenas vejo as nuvens humedecerem-me os olhos...
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