Monday, December 17, 2007
Cruzam-se momentos aquecidos, num copo que degela nas mãos quentes de ansiedade... elas esperam por uma palavra, uma troca seduzida nos recantos escondidos... cumplices de sempre, testemunhas do que não se conseguem até hoje definir... fizeste parte de mim em todas as descobertas de vida... entrelaçaram-se histórias, relógios a contar aqueles minutos eternos que traziam consigo o prazer da descoberta, o prazer de duvidar de nós próprios, o prazer de ver na colagem de outro olhar a forma de entrega mais difícil de substituir... como se nos compassos de uma música fizesse esquecer todo um mundo lá fora... terminam os acordes e permanecerá sempre a saudade, o gostinho de trocar "aquele" olhar sempre que se cruza, a certeza de que tudo renasce naquele sorriso malicioso... mas que, no fundo, vai ser sempre apenas isso... a memória do melhor momento vivido, não apenas para mim, mas por nós... e continuamos, conscientes de que só assim faz sentido, que continuamos com tanto para viver e que somos apenas um rascunho perfeito... uma peça de teatro inacabada, num desempenho que assistiremos separadamente... porque de tão perfeito precisamos vivê-lo em mundos diferentes...
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1 comentários:
As histórias que criamos com as pessoas que nos marcaram... definem o nosso carácter, as nossas atitudes e personalidade... definem também a maneira como vamos encarar as futuras relações e condicionam o que podemos esperar delas ou não...
Mas histórias sem final.. pelo receio do seu desenrolar é que não... as histórias não precisam de acabar ou morrer... as histórias vivem em nós e na forma como vamos continuar a viver, porque nos moldam e sorrateiramente mudam o nosso futuro, porque nada mais se vai comparar à sensação unica da paixão ou amor uma vez sentidos... Podem terminar os acordes mas continuas a entoar a canção, podes não estar com essa pessoa de que sentes a falta mas lembrár-te-às sempre de momentos muito mais que importantes... de noites, manhãs e tudo o que lhe segue... prendes-te ao passado com a sensação de que nada vai ser como era... com as saudades a escaparem-se pelo meio dos teus dedos e as memórias a pedirem renovação visual e táctil... sentes a falta do toque, aquele doce toque aveludado que caracteriza tanto e simboliza tão pouco... o cheiro persegue-te na rua... e tu persegues o cheiro e o seu reconhecimento noutro, pensando que poderia ser o mesmo...
A entrega parece cada vez mais estranha... pelas outras situações, pelas outras acções, por toda a água que correu neste rio entretanto...
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