
Parto rumo a outro lugar... por aquele ermo tão diferente deste... moldam-se as vontades, abre-se o leito acabadinho de fazer e o sono não chega... porque aqueles lençóis parecem velhos, gastos e, ainda agora, os estreámos... passam turbilhões de sorrisos em dias tão normais como deveria ser o de hoje e, no fim do dia, olha-se para trás, travam-se as gotículas, espreme-se o nozinho e segue-se fingida, pertencendo a outro lugar tão melhor... pensam eles... depois dos dias, volta o hábito, que quando é bom não se estranha, quando não completa é um suspiro desgarrado, que trepa em nós com desejo de gritar, desejo de nos acordar, desejo de nos mudar... mas enfim seres humanos tão habituados ao comodismo, preferimos não arriscar... voltamos porque é seguro, não arriscamos porque temos medo... e na linha de partida da memória vai estar sempre uma folha em branco por escrever, um sonho por cumprir, uma vontade de mudar... a mudança tem vários rostos em cada um de nós, mas está lá, mortinha por se revelar e tão temerosa de viver... simplesmente porque desconhecemos o que está do outro lado, porque aquilo que existe agora já é nosso, não nos surpreende, contamos sempre com essa parte de nós, podemos ser nós próprios, com defeitos ou não, apenas preferindo ter o imcompleto seguro que o completo incerto... em que linha está o sonho??? No outro lado da montanha que todos os dias está em frente à minha janela, que todos os dias espreito em silêncio, que todos os dias encerro porque não sei quanto tempo leva a percorrer...
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