Wednesday, December 26, 2007


Parto rumo a outro lugar... por aquele ermo tão diferente deste... moldam-se as vontades, abre-se o leito acabadinho de fazer e o sono não chega... porque aqueles lençóis parecem velhos, gastos e, ainda agora, os estreámos... passam turbilhões de sorrisos em dias tão normais como deveria ser o de hoje e, no fim do dia, olha-se para trás, travam-se as gotículas, espreme-se o nozinho e segue-se fingida, pertencendo a outro lugar tão melhor... pensam eles... depois dos dias, volta o hábito, que quando é bom não se estranha, quando não completa é um suspiro desgarrado, que trepa em nós com desejo de gritar, desejo de nos acordar, desejo de nos mudar... mas enfim seres humanos tão habituados ao comodismo, preferimos não arriscar... voltamos porque é seguro, não arriscamos porque temos medo... e na linha de partida da memória vai estar sempre uma folha em branco por escrever, um sonho por cumprir, uma vontade de mudar... a mudança tem vários rostos em cada um de nós, mas está lá, mortinha por se revelar e tão temerosa de viver... simplesmente porque desconhecemos o que está do outro lado, porque aquilo que existe agora já é nosso, não nos surpreende, contamos sempre com essa parte de nós, podemos ser nós próprios, com defeitos ou não, apenas preferindo ter o imcompleto seguro que o completo incerto... em que linha está o sonho??? No outro lado da montanha que todos os dias está em frente à minha janela, que todos os dias espreito em silêncio, que todos os dias encerro porque não sei quanto tempo leva a percorrer...

Tuesday, December 18, 2007


Apenas o dia que corre depressa me leva ao refúgio que é meu, ocupo um espaço, torno-me matéria, faço sentir a minha presença... para onde vou depois?? Estou perdida, falta-me a memória, não conheço ninguém... perdi a noção de quem sou, de quem me acompanha... aquele acidente não me deixa recordar, apenas me lembro do meu nome... naquelas paredes que me parecem imensas, desnuadas, onde a mobília é invisível, pergunto onde estou, quem sou eu? Onde é a minha casa? De onde vim? O corpo afasta-se da alma, por entre o vazio das escolhas crio limites no destino, vou subindo, escalando sem saber por quê... a montanha ganha superior tamanho, nao alcanço o topo, vai crescendo abruptamente, violentamente põe em causa a minha resistência em atingir o cume... pequenas saliências desenhando mãos declinam em meu auxílio, agarro-as, firmo-as de encontro ao meu corpo, mas orgulhosamente firo as mãos nas rochas, porque o objectivo é apenas meu... já não vejo horizonte, de tão empenhada que estou, vou subindo bem alto e apenas vejo as nuvens humedecerem-me os olhos...

No words are needed rigth?.....

Monday, December 17, 2007


Sigo por instantes pela correria daqueles transeuntes desconhecidos,
Temperaturas diversas, odores múltiplos, expressões contidas...
É a confusão desmedida de quem fala no silêncio,
Apenas traduzindo no rosto a ineficácia de resolver o inacabado...
Todos padecem nesse rodopio, atrás de mim, em gritos de espera...
Não tenho respostas...
Não encontro soluções para mudar a destreza de quem se move pela apatia
Numa rotina criada e não imposta...
O divã que se enrosca na pele é o único refúgio de quase três mil anos de história,
Apenas lá se debruçam os meus segredos,
Num murmúrio desconcertante,
Tentando encontrar o fim das linhas escritas...
Lutar até fortificar a honra duma vitória? Não...
Deixa-me saltar para aquele abismo de liberdade,
Deixar de conter as emoções,
Deixar depender de uma mão para o ímpeto libertino!...
Solta-me as amarras
Explica-me porque não devo ter medo...



Cruzam-se momentos aquecidos, num copo que degela nas mãos quentes de ansiedade... elas esperam por uma palavra, uma troca seduzida nos recantos escondidos... cumplices de sempre, testemunhas do que não se conseguem até hoje definir... fizeste parte de mim em todas as descobertas de vida... entrelaçaram-se histórias, relógios a contar aqueles minutos eternos que traziam consigo o prazer da descoberta, o prazer de duvidar de nós próprios, o prazer de ver na colagem de outro olhar a forma de entrega mais difícil de substituir... como se nos compassos de uma música fizesse esquecer todo um mundo lá fora... terminam os acordes e permanecerá sempre a saudade, o gostinho de trocar "aquele" olhar sempre que se cruza, a certeza de que tudo renasce naquele sorriso malicioso... mas que, no fundo, vai ser sempre apenas isso... a memória do melhor momento vivido, não apenas para mim, mas por nós... e continuamos, conscientes de que só assim faz sentido, que continuamos com tanto para viver e que somos apenas um rascunho perfeito... uma peça de teatro inacabada, num desempenho que assistiremos separadamente... porque de tão perfeito precisamos vivê-lo em mundos diferentes...